Brasil

Bolsonaro sobre prorrogação do auxílio emergencial: “Acho que vai ter”

O tom de Bolsonaro em relação ao assunto foi mudado. Em janeiro ele afirmou que a retomada do benefício quebraria o país.

Micael Levi
camera_alt Marcos Corrêa/PR

Em entrevista TV Band nesta segunda-feira (8/2), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) acenou positivo para a prorrogação do auxílio emergencial ofertado pelo governo durante a pandemia.

“Eu acho que vai ter. Vai ter uma prorrogação. Foram cinco meses de 600 reais e quatro meses de 300. O endividamento chegou na casa dos 300 bilhões. Isso tem um custo. O ideal é a economia voltar ao normal”, disse o presidente, sem especificar o valor.

O mandatário já havia discutido com Paulo Guedes (Economia) a prorrogação do auxílio emergencial se a economia continuasse no mesmo pique devido a pandemia no Brasil, que vivencia uma segunda onda.

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“O Paulo Guedes tem dito, se a pandemia continuar e a economia não pegar, vamos discutir para ontem a prorrogação do auxílio emergencial”, afirmou o presidente.

O tom de Bolsonaro em relação ao assunto é de mudança, pois em 28 de janeiro afirmou que retomada do auxílio quebraria o país. O posicionamento é diferente devido a pressão do Senado para a retomada do benefício.

O auxílio emergencial foi criado para socorrer os trabalhadores sem carteira de trabalho assinada e a famílias de baixa renda durante a pandemia de coronavírus. Inicialmente, o valor pago foi de R$ 600 e depois ajustada para R$ 300. Mãos solteiras recebiam o valor em dobro.

Mesmo com a demonstração para a volta do benefício, Bolsonaro se mostra preocupado com a dívida deixada e a lentidão na retomada da economia. Em 2020 o governo federal pagou o auxílio a 64 milhões de pessoas, sendo R$ 50 bilhões mensais gastos com as parcelas de R$ 600.

Segundo uma fonte do ministério da Economia ouvida pelo jornal Folha de S.Paulo, a pasta de Guedes elaborou um plano para a permanência de um auxílio que seria paga com três parcelas de R$ 200, tendo como foco os trabalhadores informais não atendidos pelo Bolsa Família.

A proposta muda o nome da assistência, que deve passar a ser chamada de BIP (Bônus de Inclusão Produtiva) e poderia ser solicitado pelo trabalhador em períodos de crise e se fosse aceitado participar de um curso para qualificação profissional. 

O BIP não foi elaborado para ser um mecanismo de distribuição de renda, para tirar pessoas da pobreza e sim para dar assistência a pessoas vulneráveis em um momento de crise.

O programa surge depois de uma conversa do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) com Paulo Guedes, tendo como principal assunto a assistência aos brasileiros em tempos de pandemia. No mesmo dia, o ministro da Economia afirmou que o auxílio emergencial pode voltar para metade dos brasileiros que receberam o benefício em 2020.

“O auxílio emergencial, se nós dispararmos as cláusulas necessárias, dentro de um ambiente fiscal robusto, já mais focalizado – em vez de 64 milhões, pode ser a metade disso, porque a outra metade retorna para os programas sociais já existentes –, isso nós vamos nos entender rapidamente porque a situação do Brasil exige essa rapidez”, disse Guedes em resposta ao senador.

Parcelas do auxílio referentes ao ano passado foram pagas ainda em janeiro deste ano.