Brasil

Com bíblias e bandeiras, protestantes pedem a volta de cultos presenciais

Os protestantes foram as ruas de várias cidades brasileiras para protestar contra a determinação do STF

Micael Levi
camera_alt CLÁUDIO MARQUES/ESTADÃO CONTEÚDO

Milhares de religiosos de maioria evangélicos conservadores foram as ruas neste domingo (11/4) para protestar contra a determinação do STF (Supremo Tribunal Federal) que deu aval aos gestores proibir qualquer prática religiosa presencial durante a pandemia de coronavírus.

Com bíblias, bandeiras e faixas com críticas a suprema Corte, os conservadores de diferentes movimentos e denominações foram as ruas de São Paulo, Distrito Federal, Rio de Janeiro e Campo Grande com intuito de fazer barulho.

Na capital paulista, de acordo com CET (Companhia Engenharia de Tráfego), a Avenida Paulista ficou totalmente bloqueada durante a marcha, somente sendo liberada às 15h37. O governador de São Paulo, João Doria, proibiu ajuntamento de fiéis nos templos e apresentou como medida de restrição para frear a disseminação do vírus.

Já em Brasília, capital federal, o ato começou na Praça dos Três Poderes com protestantes fazendo críticas aos ministros do STF e erguendo faixas com frases semelhantes as usadas pelo presidente Jair Bolsonaro em sua campanha eleitoral.

Apoio ao presidente Jair Bolsonaro em protesto em Porto Alegre (RS) – Marco Favero / Agencia RBS

Em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, a movimentação partiu da frente da estátua do Laçador e percorreu vias. No encontro estava presente o presidente do PTB Nacional e ex-deputado federal, Roberto Jeffersom, vestido, assim como os manifestantes, de verde e amarelo. No encontro, os apoiadores de Bolsonaro erguia faixas com frases de apoio ao mandatário.

“O povo cristão não pode ficar enjaulado em suas casas. Precisa mostrar sua força nas ruas. É a nossa hora, é a nossa voz e a nossa vez”, disse um dos manifestantes enquanto estava em um carro de som.

Denominado “Marcha da Família Cristã pela Liberdade”, o protesto reuniu cerca de 50 entidades conservadoras de todo o país como a OACB (Ordem dos Advogados Conservadores do Brasil) e o Movimento Família Brasileira. O movimento convocou seguidores para carreatas em, pelo menos, 73 municípios.

O Supremo decidiu por 9 votos a 2 que os governadores podem impor medidas restritivas que afetem o funcionamento presencial dos templos religiosos, como cultos e missas. A decisão derruba o ato de Kassio Nunes Marques, o mais novo empossado ministro da Corte, que permitiu a realização de celebrações religiosas durante a pandemia após pedido de juízes evangélicos (Anajure – Associação Nacional de Juristas Evangélicos).

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) já se posicionou sobre a decisão do STF, classificando como “um absurdo dos absurdos”. Segundo Bolsonaro, a determinação é inconstitucional, citando ainda o artigo 5º da Constituição Federal que trata dos direitos e deveres do cidadão que inclui a liberdade de consciência e crença e o “livre exercício dos cultos religiosos”.

“Lamento superpoderes que o Supremo Tribunal Federal deu a governadores e prefeitos para fechar inclusive salas, igrejas, de cultos religiosos. É um absurdo dos absurdos. É o artigo quinto da Constituição. Não vale o artigo quinto da Constituição, não tá valendo mais, tá valendo o decreto do governador lá na frente”, disse Bolsonaro em visita a São Sebastião, região administrativa do Distrito Federal.