Economia

Brasileiros usam mais lenha que gás de cozinha

Somente em 2021, o preço do gás de cozinha foi reajustado em 47,53%

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Uma pesquisa elaborada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), mostrou que o uso de lenha se tornou a segunda fonte de energia mais utilizada no Brasil, com participação de 26,1%. A energia elétrica ficou em primeiro lugar.

A lenha ganhou força nos últimos anos devido ao aumento expressivo do gás de cozinha (GLP), que segundo a pesquisa, ficou em terceiro lugar, com participação de 24,4%.

Em 2020, o consumo de restos de madeira em residências aumentou 1,8% na comparação a 2019.

Foi em 2017 que o uso de lenha começou a ganhar força, depois que a Petrobras fez uma mudança na política de preços do GLP, passando a reajustar o preço toda vez que a cotação do petróleo e o câmbio subiam.

Somente em 2021, o preço do gás de cozinha foi reajustado em 47,53%. Desde o começo da pandemia, a alta acumulada é de 81,5%. O último reajuste foi anunciando no dia 8 de outubro, de 7,2%.

O preço médio do GLP chega a R$ 97,73 e em alguns lugares chega a R$ 135, com isso várias famílias recorrem a lenhas ou outras fontes de energia para continuar o sustento.

Ajuda a Pretrobras

A Petrobras já anunciou que destinará R$ 300 milhões por meio de um programa social para ajudar as famílias de baixa renda a comprar o gás de cozinha. O projeto foi aprovado pelo Conselho de Administração da Petrobras no dia 29 de setembro.

De acordo com a empresa, a ajuda terá duração de 15 meses. No dia em que foi anunciado, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) informou analisar a entrega de um botijão de gás a cada dois meses as famílias beneficiários do Bolsa Família.

O anúncio da criação do programa social surgiu depois das críticas de Bolsonaro e apoiadores do governo em relação ao preço do GLP e dos combustíveis, que também sofreu reajustes desde o ano passado e aumentou em 2021.

Vale Gás Social

A Câmara dos Deputados aprovou uma proposta que cria o vale Gás Social, que irá subsidiar a compra de gás de cozinha (GLP) para famílias de baixa renda. A sessão da aprovação ocorreu no dia 29 de setembro.

O texto, que segue para o Senado, não tem um valor definido, mas os deputados já definiu alguns parâmetros: o projeto terá de subsidiar metade do valor do botijão de gás, ao menos. O PL ainda define que o pagamento deva ser feito durante dois meses ou mais.

O projeto, nomeado de Gás Social, beneficia famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único (CadÚnico), como feito a distribuição do auxílio emergencial, criado como socorro no início da pandemia de coronavírus.

Ainda não foi definido como será feita a distribuição. O projeto indica duas fontes de receita para o governo. Parte do benefício será bancado com dinheiro dos royalties do petróleo. O restante pela arrecadação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), incidente sobre a importação e a comercialização de petróleo e derivados