Justiça

Caso Andrade: Vítima e suspeito estavam no rio em um momento de lazer, diz investigação

O acusado confessou sua autoria no crime que ceifou a vida do médico psiquiatra com um tiro na nuca,

camera_alt Reprodução/Redes Sociais

A polícia continua investigando como e o motivo que levou o médico Geraldo Freitas Júnior assassinar seu melhor amigo o também médico psiquiatra Andrade Lopes Santana, encontrado boiando em um rio em Rio Jacuípe, em São Gonçalo dos Campos, depois de passar dias desaparecido.

Andrade saiu de Araci, na região do Sisal, com destino a Feira de Santana, informando aos amigos que iria negociar uma moto aquática com Geraldo. Ao notar seu desaparecimento, amigos começaram a procura de Andrade, encontrado com uma marca de tiro na nuca e uma corda em seu braço amarrada a uma âncora.

Nesta terça-feira (1/6), o titular da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR), o delegado André Ribeiro, explicou que as investigações apontam que eles estavam no rio em um momento de lazer e que o crime foi premeditado.

Em seu depoimento, o acusado confessou sua autoria do crime. As informações inicias apontavam para um latrocínio, em razão da compra ou não de uma moto aquática, mas foram contrariados pelos desenrolar dos fatos.

Segundo a investigação, a questão da venda da moto aquática foi constado que não houve e que não houve negociação. “Eles foram andar de moto aquática mesmo, eram amigos e foram se divertir. Tem a questão também dessa possível compra de arma de fogo, feita pelo médico Andrade ao médico Geraldo, constatamos que não havia essa venda, na verdade, ele tinha uma intenção de compra”, disse o delegado.

“Eles eram atiradores desportivos e tinham muitas armas de fogo, e aí, ele revelou esse interesse em adquirir essa arma na mão do Geraldo, que na verdade se trata de uma doação, não pode ser uma venda, mas também não constatamos a veracidade disso. Estamos tentando identificar qual o motivo que teria levado Geraldo a ter cometido esse homicídio contra o médico Andrade”, informou.

Para o titular, o crime aconteceu de forma particular, envolvendo amigos e uma grande frieza por parte do suspeito após cometer o crime e o comportamento como se não tivesse realizado nenhum tipo de crime.

O comportamento do autor

Geraldo foi o responsável por registrar o desaparecimento de Andrade. Ele ainda chegou a amparar os familiares quando chegaram de viagem do Acre, ajudando nas investigações. Foi essa frieza que assustou os agentes.

De acordo com a polícia, a moto aquática que tinham combinado de andar no dia do desaparecimento foi encontrada no condomínio onde o suspeito foi preso em Feira de Santana.

Geraldo estudou medicina com Andrade, em uma faculdade na Bolívia. Concluído o curso, os dois se mudaram para o interior da Bahia, para trabalhar.

“Ele me abraçou. Me abraçou e disse que estava emocionado junto comigo. Mesmo assim eu não sinto ódio dele. Deus botou um paredão entre o ódio e eu. Eu estou tranquila sobre isso, porque sei que Deus vai fazer a parte dele”, disse Domitila, mãe de Andrade.

Mãe da vítima perdoou

A mãe da vítima Domitila Lopes afirmou que deseja ficar frente a frente com o autor do crime e que perdoou o acusado. Ela foi nesta terça-feira à delegacia buscar pertences do filho e o carro, que foi encontrado em Conceição do Jacuípe.

“Nós viemos à Delegacia buscar alguns pertences de Andrade, que estava em poder da investigação e o carro que estava em Conceição do Jacuípe. É muito triste pra mim saber que esse homem planejou a morte do meu filho. Mas eu creio em Jesus e a gente tem que perdoar, e se nós queremos ir para o céu, temos que perdoar. Muitas pessoas têm me criticado por eu perdoar o assassino, mas é diferente perdoar, de querer que ele não vá preso pra não fazer mal à sociedade. Se ele ficar solto, se foi a primeira vez, ele vai continuar”, afirmou ao Acorda Cidade.

Assim como Andrade, Domitila é natural do Acre e veio a Feira de Santana prestar depoimento sobre o desaparecimento do filho, que ela ficou sabendo depois de contatos de amigos da vítima.

“A gente confia muito na polícia daqui, e a gente viu que é muito eficiente. Eles adotaram a minha causa, a minha dor, e vejo o carinho por mim que eles querem me dar a resposta. O que aconteceu eles vão me dar a verdade, e esse homem vai ficar preso. Eu confio no promotor que vai cuidar do caso, e seja lá o que aconteceu, nada justifica tirar a vida de um jovem, matar alguém”, disse.

Homenagens

Sob grande comoção, o corpo do médico foi velado no último sábado (29/5), no cemitério paroquial de Araci, cidade onde ele morava. Um cortejo foi realizado na manhã deste sábado em despedida ao médico e foi acompanhado por uma multidão.

O carro com o corpo do médico saiu da casa onde ele residia, parou na Câmara de Vereadores e seguiu para o cemitério, onde Andrade foi enterrado.

A família desejava cremar o corpo, porém como ele foi vítima de um crime, teve que ser enterrado.

No Acre, amigos e familiares de Andrade fizeram uma homenagem para ele na tarde desse domingo (30/5), em Brasileia, no interior do Acre. A homenagem contou a com participação de 100 pessoas vestidas de que soltaram balões também brancos. O momento contou ainda com várias falas dos amigos e parentes e orações.