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Mundo

Noruega: morre mulher que teve trombose após tomar vacina de Oxford

Ela não tinha registro de qualquer doença anterior e tinha um quadro clínico classificado como “inusual”

Micael Levi
camera_alt Agência O Globo

Por EFE

Uma profissional da saúde, de 50 anos, da Noruega, que estava há dois dias internada com trombose, após ter recebido a vacina Covishield contra a Covid-19 morreu. O imunizante é produzido pela farmacêutica Serum Institute of India, em parceria com a AstraZeneca/Universidade de Oxford.

A mulher não tinha registro de qualquer doença anterior, tinha um quadro clínico classificado como “inusual”, assim como o de outros dois trabalhadores da saúde que tinham sido internados no fim de semana no Hospital Universitário de Oslo.

“Apresentavam uma combinação muito raro de baixa quantidade de plaquetas, tromboses em vasos sanguíneos pequenos e grandes e hemorragias. Outros casos com sintomas parecidos apareceram em vários países europeus”, contou o diretor da Agência Norueguesa de Medicamentos, Steinar Madsen, em uma entrevista coletiva nesta segunda (15/3).

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Segundo confirmou o representante da agência reguladora local, as autoridades locais estão investigando a relação direta entre a vacina e os três casos.

Madsen admitiu ainda que existem traços em comum dos registros de problemas de coagulação que surgiram após a aplicação do agente imunizante produzido pela companhia anglo-sueca.

“Pedimos a todo o pessoal de saúde que suspeite de efeitos inesperados ou graves, após a vacinação, que o comunique o mais rapidamente possível”, garantiu o diretor da Agência Norueguesa de Medicamentos.

O país suspendeu temporariamente na última quinta (11/3), a aplicação do agente imunizantes da Covishield, depois da Dinamarca ter feito o mesmo quando houve a morte de uma mulher de 60 anos.

Países como a Irlanda, Islândia, Bulgária e Holanda também haviam paralisado o uso dessa vacina. Áustria, Estônia, Letônia, Lituânia e Luxemburgo retiraram um lote específico dela de circulação.

Na África do Sul o uso do medicamento já foi suspenso por causa do resultado de um estudo que mostrou uma eficácia menor em pacientes que contraíram a variante que circula na nação africana, a 501Y.V2, potencialmente mais infecciosa. O país chegou a doar por meio da União Africana as doses dos imunizantes que foram compradas.

Alemanha, França, Itália e Holanda pausam uso da vacina

A Alemanha, França, Itália e Holanda decidiram suspender temporariamente a aplicação do imunizante fazendo a lista dos países que pausaram a vacina crescer.

O Ministério da Saúde holandês afirmou que a medida adotada é de “precaução, enquanto se aguarda a investigação adicional”.

“A questão crucial é saber se tratam-se de queixas após a vacinação ou causadas pela vacinação. Não devemos ter dúvidas sobre as vacinas. Temos de ser prudentes. É o mais sensato a fazer agora, por precaução”, disse o ministro da Saúde, Hugo de Jonge.

A Alemanha afirmou que a decisão da suspensão foi “puramente preventiva”. Alguns países acusam a vacina de está ligada a coágulos sanguíneos.

“Cerca de 17 milhões de pessoas na União Europeia e no Reino Unido já receberam nossa vacina, e o número de casos de coágulos sanguíneos relatados neste grupo é menor do que as centenas de casos que seriam esperados entre a população em geral”, disse Ann Taylor, diretora médica da AstraZeneca.

A Indonésia e os Países Baixos também suspenderam o uso da vacina da AstraZeneca, citando relatos de problemas incomuns de coagulação de sangue entre algumas pessoas que recentemente receberam as vacinas na Noruega.

O diretor do Instituto Oxford, Andrew Pollard, assegurou que a vacina é segura e que não há motivos para não ser usada. A OMS (Organização Mundial da Saúde) endossou a declaração. “A AstraZeneca é uma vacina excelente, assim como as outras que estão sendo usadas”, afirmou a porta-voz da OMS, Margaret Harris.