Política

Lula a revista francesa: ‘Serei candidato contra Bolsonaro’

A fala de Lula é uma resposta aos resultados das últimas pesquisas de intenção de voto voltando a colocá-lo como preferido para o cargo.

camera_alt Ricardo Stuckert/PT

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou em entrevista a revista francesa Paris Match nesta quinta-feira (20/5), que será candidato ao cargo de presidente da República e mostrou a intenção de se opor ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“Acho que fui um bom presidente. Criei laços fortes com a Europa, América do Sul, África, Estados Unidos, China, Rússia. Sob meu mandato, o Brasil tornou-se um importante ator no cenário mundial”, argumentou o petista.

“Em meu primeiro depoimento, disse ao juiz (Sérgio) Moro: ‘Você está condenado a me condenar porque a mentira foi longe demais e você não tem como voltar atrás’. Na verdade, essa mentira envolveu um juiz, promotores e a grande mídia do país, que me condenaram antes mesmo de eu ser julgado. O que eles não sabiam é que estou pronto para lutar até o último suspiro para provar que se uniram para me impedir de ir às eleições”, defendeu.

A fala de Lula é uma resposta aos resultados das últimas pesquisas de intenção de voto voltando a colocá-lo como preferido para o cargo. Em uma pesquisa elaborada pela Datafolha mostra que Lula ultrapassa nomes como Bolsonaro, João Doria (PSDB), o apresentador Luciano Huck e Moro.

O resultado da pesquisa gerou falatório no Planalto e Bolsonaro reagiu preocupado, chegando a afirmar que caso Lula volte a ser novamente chefe do Executivo federal “nunca mais vais sair”.

O petista intensificou a agenda com foco em sua candidatura a presidência quando o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou todas as condenações da Operação Lava Jato como o tríplex no Guarujá e o sítio de Atibaia dada pela Justiça de Curitiba. No entendimento da Corte, a Justiça de Curitiba não tinha competência para julgar os casos, já que os eventos aconteceram em São Paulo, e o presidente morava em Brasília na época.

Como as condenações que levou o ex-presidente a prisão impossibilitava ele de concorrer a cargos públicos, a defesa começou a recorrer. Com o êxito e a liberação para poder se candidatar nas eleições de 2022, Lula já sentou com políticos de diferentes legendas no início de maio quando passou quatro dias em Brasília, dando indicativo para sua articulação política.

Também, de volta ao cenário político, a imagem do ex-presidente voltou a ganhar força quando em um palco, depois da determinação do STF, atacou a gestão de Bolsonaro na pandemia — que era fortemente atacada pela oposição — e adotar publicamente um gesto contrário ao do chefe do Planalto tomando as duas doses da vacina contra a covid-19.

Inimigo explicito de Lula, Bolsonaro afirmou que o petista só vencerá as eleições de 2022 com fraude. “Um bandido foi posto em liberdade, foi tornado elegível, no meu entender para ser eleito presidente. Na fraude. Ele só ganha na fraude o ano que vem”, disse Bolsonaro em discurso no Mato Grosso do Sul na última sexta-feira (14/5).

De acordo com o presidente, a única forma de vencer Lula nas eleições é a volta do voto impresso para evitar fraude na urna eletrônica. Porém o mesmo sistema que ele acusa ser fraudulento, chegando a afirmar que não venceu no primeiro turno mediante fraude, é o mesmo que o levou a cadeira presidencial.