Política

Testemunha diz que fez disparos em massa para Haddad nas eleições

Segundo ele, não foram disparadas mensagens falsas, apenas nome, número e zoneamento dos candidatos.

Jornal do Sisal
Jane de Araújo/Agência Senado

Por Poder 360

Durante seu testemunho à CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) das fake news, Hans River do Rio Nascimento, ex-funcionário da empresa de marketing digital Yacows, afirmou nesta terça-feira (11/02/2020) que fez disparos em massa para as campanhas de Fernando Haddad (PT) e Henrique Meirelles (MDB) em 2018.

“Todos os partidos políticos contrataram a Yacows para fazer a situação de propaganda”, disse Hans River, negando, por outro lado, que tenha atuado nas campanhas de João Doria (PSDB) e de Jair Bolsonaro (então no PSL).

Segundo ele, não foram disparadas mensagens falsas, apenas nome, número e zoneamento dos candidatos.Ele relatou que cada funcionário tinha de 4 a 5 celulares. Os chips utilizados eram ligados a CPFs de pessoas idosas, nascidas de 1932 a 1953. Ele ainda chegou a afirmar que a lista de nomes era tão grande que algumas pessoas poderiam até estar mortas. Se confirmado, o fato configura crime.

Nas listas de contatos, havia números nacionais e até internacionais, que explica, ter conseguido em sites pagos.

De acordo com Nascimento, o número de chips por operadora variava: de acordo com a testemunha, a Tim aceitava de 4 a 5 por CPF; a Claro e a Vivo, 3 ou 4; e a Oi, 3. Todavia, Nascimento não soube precisar a quantidade de funcionários —estimou em 500 para cada 1 dos 3 turnos de trabalho— ou de chips utilizados.

Quando perguntado se os funcionários tinham consciência da gravidade de disparar mensagens em massa, respondeu que, na verdade, estavam preocupados em ganhar 1 bom salário para sustentar a família. Disse que diversos funcionários faziam hora extra por causa da promessa de pagamento mais alto —o dobro pela hora.

As informações da testemunha contradizem reportagem publicada em dezembro de 2018 pelo jornal Folha de S. Paulo. O texto dava conta de que informações supostamente fornecidas por Hans River comprovariam o esquema de fraude.

A jornalista Patrícia Campos Mello, que assina o texto junto ao repórter Artur Rodrigues, rebateu o depoimento no Twitter. Na mensagem, afirmou que irá publicar nova reportagem, dessa vez com áudios de Nascimento, além de fotos e planilha disponibilizadas por ele.

Acusação de racismo

No início da sessão da CPMI das fake news, houve discussão entre os congressistas, muitos visivelmente exaltados.

O PSL gostaria que a oitiva fosse aberta à imprensa, enquanto o PT queria que a sessão fosse fechada. Hans River do Rio Nascimento acusou o deputado Rui Falcão (PT-SP) de racismo por tê-lo chamado de favelado e periférico. O deputado negou ter feito as declarações.

As informações são do Poder 360.