Saúde

Erros em administração de vacinas têm provocado muitos incidentes e até óbitos

Sendo 95% segura em humanos, a vacina da Pfizer/BioNTech não apresenta problemas.

Micael Levi
camera_alt Vincent Kalut/Getty Images

Os erros envolvendo a administração de vacinas tem provocado diversos incidentes e até resultando em óbitos. Erros são também uma oportunidade de aprimoramento desde a confecção a administração das doses.

No norte da Síria um erro humano misturou um relaxante muscular chamado de Atracúrio com a vacina contra o sarampo. O caso, que aconteceu em 2014, vitimou 15 crianças, a maioria delas bebê. Segundo médicos, muitas sufocaram até a morte depois de seus corpos incharem. Na época, a tragédia levantou suspeitas sobre o imunizante.

De acordo com a agência Reuters, o fabricante enviou a vacina em pó com um diluente para um centro na Síria, onde foi armazenada e depois enviada para as províncias de Deir al-Zor e Idlib onde foi iniciado a campanha de vacinação contra o sarampo.

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Um caso que colocou a vida de vários agentes penitenciários em grave risco de saúde aconteceu no condado de Cumberland, em Portland (EUA). Eles receberam inadvertidamente vacinas contra gripe em vez de serem testados para tuberculose.

A empresa de saúde responsável pela administração Corizon Health pediu desculpas pelo ocorrido. Segundo o porta-voz da Corizon, duas enfermeiras não seguiram o protocolo adequado e o erro afetou 41 agentes que era para receber testes para tuberculose. O caso também aconteceu em novembro 2014.

Dois casos parecidos aconteceu em janeiro de 2010 e outubro de 2014. Foram injetados insulina nos pacientes em vez de vacina contra o vírus influenza. Em todos os casos os envolvidos estavam ligados a educação e aconteceram nos Estados Unidos.

Em 2009, onze idosos em um lar de idosos na Holanda também receberam insulina em vez da vacina contra a influenza. O erro matou um idoso após a administração. Como informado, erros em vacinas contra qualquer doença acontecem e servem para melhorar a ciência e os estudos.

A vacina contra a Covid-19 da Pfizer/BioNTech

O mundo está iniciando a vacinação contra a Covid-19, doença respiratória provocada pelo coronavírus. Duas pessoas apresentaram fortes alergias contra a vacina da Pfizer/BioNTech. O caso aconteceu no Alaska (EUA).

Os episódios têm bastante semelhança com os dois casos de reação alérgica reportados na semana passada no Reino Unido. De acordo com a BBC, há uma diferença intrigante: um dos profissionais americanos não tinha histórico de alergias graves, como os outros três.

Uma mulher de meia-idade, profissional da saúde, foi vítima da reação em Juneau, no Alaska, depois de receber o imunizante. Ela começou a desenvolver erupções na pele, falta de ar e aceleração na frequência cardíaca. Rapidamente os médicos injetaram uma dose de epinefrina, tratamento tradicional para reações alérgicas. Os dois casos de reações alérgicas contra a vacina no Reino Unido também aconteceu em profissionais da saúde.

“Se você deseja absolutamente nenhum efeito adverso, então nenhuma vacina e nenhum remédio serão ‘seguros’ nesse sentido. Todo medicamento eficaz tem efeitos indesejados. Então, quando falamos que é ‘seguro’, falamos do peso dos efeitos indesejados em comparação com o benefício é muito claramente a favor do benefício”, explica Stephen Evans, professor da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, ao BBC News.

De acordo com os testes administrados em humanos, a vacina produzida pela Pfizer/BioNTech reduz os casos de covid em 95% das pessoas imunizadas, mas provoca efeitos colaterais comuns incluindo dor no local da injeção, dor de cabeça, calafrios e dores musculares. Isso pode afetar mais de 1 em cada 10 pessoas, podendo ser controlado com paracetamol. Segundo os especialistas, esses sinais do corpo são o sistema imunológico entrando em ação.

“Resumindo: até o momento, não há nenhuma indicação que as vacinas de mRNA não sejam seguras. Eu tomaria essa vacina e a aplicaria no meu filho, o meu bem mais precioso”, afirmou a médica epidemiologista Denise Garrett, vice-presidente do Instituto Sabin de Vacinas.

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