Saúde

Estudo sugere que poluição do ar pode afetar a qualidade do esperma

Má qualidade do ar diminuiu a motilidade dos espermatozoides, ou seja, sua capacidade de “nadar” na direção certa

camera_alt Jeisa P. / Morguefile

Um estudo elaborado na China aponta o impacto negativo na qualidade dos espermas devido a poluição do ar. O estudo foi feito com pesquisadores chineses e publicado na revista científica JAMA Networks.

Participaram do estudo 33.876 homens residentes em Xangai, na China. Eles tinham idade média de 34 anos, sendo que 49,4% deles estavam acima do peso ou obesos, 28,7% eram fumantes atuais e apenas 1,3% relataram consumo de álcool frequente.

Os pesquisadores descobriram que os voluntários que viviam em áreas com níveis mais altos de material particulado no ar tendiam a ter uma pior qualidade do esperma, especialmente no que diz respeito à motilidade do espermazoide — a capacidade dele “nadar” na direção certa.

Material particulado é o termo frequentemente usado em estudos da poluição do ar para descrever minúsculas partículas sólidas e gotículas líquidas encontradas no ar, seja poeira, sujeira, fuligem ou fumaça. Sabe-se que partículas menores de poluição do ar são especialmente perigosas porque têm a capacidade de penetrar profundamente nos pulmões e chegar à corrente sanguínea.

“Esses achados sugerem que a exposição ao material particulado pode afetar adversamente a motilidade dos espermatozoides e destacam a necessidade de reduzir a exposição à poluição do ar por partículas ambientais para homens em idade reprodutiva”, escreveram os autores no estudo.

Isso é algo que o novo estudo dos pesquisadores chineses comprovou, mostrando que os declínios na qualidade do esperma eram particularmente perceptíveis em pessoas que foram expostas a moléculas menores de material particulado.

A ligação entre a poluição do ar e a qualidade do esperma nunca havia sido demonstrada antes devido a dados inconsistentes.

Outros fatores além da qualidade do ar podem impactar a qualidade do esperma como etnia, idade, índice de massa corporal, tabagismo e consumo de álcool. Alguns desses aspectos foram levados em consideração pelos pesquisadores, mas não foi possível ajustar tudo o que pode ter sido relevante, afirmaram os autores do estudo.

A infertilidade está se tornando um problema de saúde pública global, afetando aproximadamente 10% de todos os casais em idade reprodutiva em todo o mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que fatores puramente masculinos, principalmente a má qualidade do sêmen, podem ser responsáveis por metade dos casos de infertilidade.

Nos últimos anos, evidências extensas sugeriram uma tendência global de queda na qualidade do sêmen, e vários estudos relataram declínios significativos na concentração, contagem e motilidade dos espermatozoides.